Autor(a):  Charles Bukowski
Editora: L&PM
Páginas: 320
Gênero: Romance
Ano: 2005
ISBN: 9788525414656

        Nunca sei bem como começar uma resenha, mas confesso que começar esta resenha é ainda mais difícil que as outras. Primeiro por se tratar de um escritor de peso, Bukowski, a quem eu sempre ouvia falar, mas nunca de fato procurava sua obra até o então momento. E segundo por ser a obra “Misto-Quente”, a quem adquiri uma grande relação de amor.
        Como afirmei acima, ainda não havia lido nada desse então autor alemão conhecido pelos seus apelidos de “Buk” ou simplesmente “velho safado”, afinal eu sempre me achei imatura para entender e compreender suas obras, até que finalmente cheguei a um empasse da vida em que me senti preparada para conhecê-lo e depois de muitas pesquisas fui atraída para esse romance.
        O livro é um alter ego do autor misturado em doses perfeitas de ficção, creio eu. Somos apresentados a Henry Chinaski, um alemão que se mudou para um bairro pobre de Los Angeles, nos Estados Unidos, com os pais quando ainda era bem pequeno. Seu pai era um sádico, de valores podres e sem qualquer sentimento pelo filho; sua mãe era amável, porém ignorante e submissa às ordens do marido.
        Chinaski teve uma infância difícil e complicada, afetado pela crise de 1929. Odiava se abrir com as pessoas e queria apenas ficar no seu canto, sendo reconhecido como um “cara durão”. Era espancado diversas vezes pelo pai e nunca recebeu um apoio dos professores. Na adolescência é atingido por um surto de espinhas, espinhas graves a ponto de necessitar um tratamento médico que não obteve resultados além de cicatrizes por todo o corpo. Isso o fez ficar ainda mais fechado e criar uma imagem feia de si mesmo, tendo como sua melhor amiga a bebida.

Sentei no sofá. Ficar bêbado era bacana. Decidi que sempre me embebedaria. A bebida levava o que era vulgar para longe, e talvez se você conseguisse ficar afastado do que era vulgar por tempo suficiente, pudesse escapar desse destino.

        O garoto que ninguém dava nada, o garoto que simplesmente esbanja um sorriso sarcástico e arruma diversas confusões de pancadaria, lia constantemente em seu quarto e sonhava em ser um escritor, apesar de não dar a mínima para isso e achar que seus contos não eram bons o suficiente.
        Esse livro é esplendido e surpreendente. Você pode até tirar algumas lições dali, mas tudo que verá é uma realidade objetiva e cotidiana de diferentes fases da vida de uma pessoa afetada pelas crises e futuramente a guerra. Apesar de muitos leitores defender ser um livro amargo, eu não o encaro dessa forma. Em muitos momentos você se pega rindo das situações que o personagem está vivendo e em outros você fica ali, parado, contemplando os sentimentos mais profundos de Henry.
        Tudo começa em uma solidão e acaba do mesmo jeito que começou, remetendo nossas próprias vidas em diferentes contextos. Vemos o quão somos ignorantes e fúteis, ao mesmo tempo em que cheio de valores com esta obra, que exige um patamar maduro de nós mesmos. Dizem que “quem não leu Misto-Quente, não leu Bukowski”, não sei se é verdade ou mentira, apenas afirmo que: seja bem-vindo à minha vida, Charles Bukowski!

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